Mantendo rotinas

Tempos complicados que passamos. No fundo, passamos sempre tempos complicados, tentamos encontrar formas de dar a volta e descomplicar um pouco. A melhor forma que encontrei até à data foi manter-me fiel a rotinas. Ora bem, rotinas aqui pode ser visto como bom ou mau – nunca me dei muito bem com imposições, é uma verdade, mas estas imposições são um pouco relativas.

De manhã, acordo relativamente cedo e tenho necessariamente que sair, cinco minutos para comprar pão. Em casa, enquanto tomo o pequeno almoço, observo a janela lá fora – dias de chuva e cinzentos não ajudam a manter uma disposição positiva e quando eles se prolongam por muito tempo, as coisas podem começar a complicar. Mas, apesar de tudo, tento ir buscar boas lembranças e recordações para conseguir superar o dia.

Sento-me para começar a trabalhar, e a primeira imposição que faço a mim mesma é escrever para aqui para o blogue. Dentro da minha coerência incoerente ou incoerência coerente – seja, assunto não falta e por mais que já se tenha falado de tudo um pouco, escrever faz-me bem, ler os outros e ver pelos caminhos e universos que passam também. Tento responder a partilhas no meu blogue e falar um pouco noutros, é verdade que nem sempre.

Nestas alturas costumo escrever ao som de um canal de Youtube (1), que ajuda a acalmar as ideias e assentar um pouco. Tenho tendência a acordar sempre com novas ideias e grandes projectos, desta forma, consigo ancorar um pouco.  

De seguida reservo uns 10 a 15 minutos às redes sociais (e não perco grande tempo com a zona de comentários nas redes sociais de coisas que vou vendo, algo que vim a descobrir com o decorrer do tempo é que se perde muito tempo a ler coisas muito estranhas muitas vezes sem justificações para a quem conseguimos arranjar resposta).

Ao fim de terminar estas navegações, fecho este capítulo. Começo a escrever, outras escritas, onde o papel e a caneta ajudam a dar corpo a uma história, uma ficção ou uma ideia. E posso estar uma ou duas belas horas a escrever, rescrever, apagar, acrescentar etc… para no final acrescentar umas onze linhas por dia. Habituei-me à ideia que devagar se vai ao longe.

Para descomprimir da escrita e antes de ir almoçar, reservo mais cerca de 5 minutos à net, paro. Foi algo que aprendi aos poucos, tudo o que é demais cansa, e a internet casa-me um pouco, não propriamente as pessoas, mas algum conteúdo.

Durante a tarde, passo a tarde toda a pintar, toda. Aprendi que na minha vida tenho dois polos – um facilmente distraídos e outro hiperfocado (5 horas seguidas) – creio que a tarde se prende exatamente com isso. E como não consigo estar muito tempo só focada no desenho ou pintura aproveito para ouvir algumas aulas de assuntos que me possam despertar interesse, novamente recorrendo ao Youtube porque no meio de tanta desinformação também se consegue adquirir informação interessante e que nos faz pensar (2/3). Outras vezes também gosto de apenas ouvir o barulho da natureza ou perder-me a fundo nos meus pensamentos – mas sempre a pintar ou desenhar – esta é sempre a minha referência que me faz concretizar.

Já tentei seguir formas de estratificar o tempo como o Bullet Journal mas tive que as adaptar à minha própria forma de ser, digamos que segui o meu próprio código com aquilo que resultava para mim. Não gosto de rotinas rígidas, divagar por cinco minutos no final de uma hora faz-me bem (às vezes esqueço-me é que tenho que divagar). E, nem sempre mantenho estas rotinas, mas grande parte das vezes sim, foco-me nisto mesmo.

O pior do inverno já passou, vamos a caminho da primavera e da floração tentarmo-nos agarrar a essa imagem para dissipar este ambiente escuro e pesado que por vezes cai sobre nós.

  1. https://www.youtube.com/watch?v=5qap5aO4i9A&ab_channel=ChilledCow
  2. https://www.youtube.com/channel/UC4EY_qnSeAP1xGsh61eOoJA
  3. https://www.youtube.com/channel/UC-EnprmCZ3OXyAoG7vjVNCA

24 thoughts on “Mantendo rotinas

  1. Irina eu também não gosto de rotina rígida. Adorei seu texto 👏🏻
    Já tive este tempo enquanto trabalhava e mesmo assim sempre dava um jeito de variar dentro das mesmices.
    Agora com mais tempo para mim e para fazer o que gosto, durante a pandemia… tento organizar um pouco o meu dia dispondo de tempo diário para cada coisa.
    Como você de manhã fico com meu Blog e um pouco das redes sociais… intercalando com jardinagem, um hobby recentemente descoberto. Caminho um pouco, mexer o corpo tem me feito bem.
    Busco me inspirar ou apreciar boas leituras. Cada dia um novo olhar, como uma nova aventura.
    A tarde estudo, escrevo meu livro de memórias… adoro aprender, aprender. Aprecio do terraço tudooo…. até onde minha vista consegue ver… aquietando minha mente.
    Converso com meus familiares e amigos. Vez ou outra um curso breve ou um filme, seriado….
    Quando percebo já é noite. Hora de descansar😉

    1. Olá Bia.
      Desde já peço-lhe desculpa o comentário tão tardio. Não sei porquê só hoje o vi e ele encontrava-se no spam (não sei porquê).
      Manter o espirito de descoberta e aprendizagem é uma excelente forma de “quebrarmos” com as rotinas, sempre que consigo ver algo novo ou outra perspetiva é como saísse dessa rotina e mergulhasse em algo diferente na busca de seu entendimento.
      Eu só não estou a caminhar neste momento porque, por cá, o tempo não tem sido favorável a poder fazer mas é algo que gosto bastante, especialmente logo pela manha, com uma paragem num sitio onde me consigo sentar ao sol e visualizar as terras circundantes À cidade onde resido.
      Também adoro ler e, engraçado que falou em algo que à pouco comecei a fazer (influencias da minha mãe), a jardinagem. Não tenho muitas plantas (minhas) mas comecei a plantar tulipas e ando a torcer e a tratar delas com muito amor e cuidados para ver se elas florescem. Tenho uma que vinga á 5 anos seguidos, plantei outras três para ver se elas crescem. É um passatempo bastante interessante e que requer muitos cuidados.
      Pontualmente vejo um ou outro filme e série mas sou demasiado seletiva nestas, gosto muito de observar o que um filme nos passa, o sentimento e emoções e também abrir portas a novos horizontes.
      Adorei o seu comentário, porque sim, rotinas são boas, mas podemos modificar um pouco para variar e tirar o máximo de proveito delas.
      Um beijinho grande e uma semana feliz.
      Novamente, desculpe a resposta tardia.

      1. Desculpe me intrometer na conversa de vocês(risos)!Vocês podem até achar engraçado,mas tenho descoberto o seriado “Starsky & Hutch”!Sim,estou encantada,considero uma preciosidade.Nasci na época que apareceu esta série e,embora há um bom tempo soubesse só pelo nome,agora é que estou conhecendo,ainda não vi todos os episódios.Incrível,depois dos meus quarenta e poucos anos é que fui conhecer e amar esta série.Antes tarde do que nunca,né?Primeiro conheci o longa metragem,uns anos atrás,e também amei.E só agora e que estou conhecendo a série.No meu ponto de vista,esta série tem de tudo,drama,amor,humor,alguns episódios chatos também.Também tem assuntos que continuam atuais e fiquei espantada que foram tratados naquela época,nesta série.Também acho interessante a quantidade de negros e latinos que aparecem nos episódios,acho que mais que hoje em dia,em que se fala tanto em racismo e preconceito,a começar por dois personagens fixos,que pode-se dizer que também são protagonistas,juntos dos titulares,seriam os quatro protagonistas da série.Também acho interessante que no Brasil,não sei se em mais outro país também é assim,o informante de Starsky & Hutch,na minha opinião levou o apelido bem bolado de “Branca de Neve”,e o personagem é negro,em inglês,se não me engano,é “Huggy Bear”.Não sei quem teve essa ideia interessante de dar o nome de Branca de Neve ao personagem.Acho que se fosse hoje em dia iriam dizer que essa forma de chamar que inventaram na dublagem é preconceito,racismo.Na minha opinião,foi uma forma criativa,inteligente e bem humorada que inventaram de chamar,em português,pelo menos no Brasil.Outra coisa que me impressionou foi o episódio dividido em duas partes chamado “The Plague”.Muitas vezes assintindo a este,em pensamento,me perguntava se estavam falando do Coronavírus,tamanhas as semelhanças entre a situação do episódio e a atual.Mas é claro que com diferenças também.Mas,que eu saiba,não existia este vírus específico,no final dos anos 70,época da série.Este não tem muito humor,mas tem um pouquinho.Este é mais dramático.Mas no final tem cura.Recomendo,assim como recomendo todos os episódios,mesmo os que ainda não conheço,tanto a quem assistiu,quanto a quem não conhece,ou está conhecendo,como eu.E daí fui conhecendo também um pouco das músicas de David Soul,o Hutch,a história trágica na família de Paul Michael Glaser que se trasformou em uma fundação,também as pinturas de Glaser,ou seja,tenho descoberto coisas interessantes,além da série,uma coisa puxando outra.

    1. Sim, no meio deste caos é importante manter equilíbrios. Entre fazer, pensar, descansar – precisamos de tudo isto um pouco.
      Obrigada Gabriela pela sua leitura.

  2. A rotina é quase compulsória para o nosso bem estar, mas forma de voce se colocar nas palavras e atividades que cumpre, parece algo tão natural. é como se falasse assim, “só vai” de forma instintiva o resto o corpo faz. belo olhar sobre voce mesmo Irina!!

    1. Ed, é apenas este olhar que tenho… tentar levar as rotinas de forma calma e aproveitar cada momento. Gostei do “só vai”, olha que às vezes custa muito 😘 mas mantemos activos e isso é que interessa. Beijinho enorme meu amigo. Vi que hoje passaste por cá. 🤗

  3. Concordo com o Pedro Rabello. Recentemente, voltei a dar atenção ao meu lado artístico para fugir da prisão da minha rotina. Ficarei lisonjeado se visitar o meu blog/site nas suas navegações matinais, à procura de algo mais que possa acrescentar a você. Espero contribuir com minhas poesias, músicas e desenhos. É sempre bom conhecer novos artistas. Vou seguir você.
    Ricardo Starling.

    1. Olá Ricardo, terei todo o prazer em visitar o seu site e começar a seguir, já me falou em temas que, com certeza ficarei interessada em seguir. Amanhã, quando for ao PC já o seguirei.
      Agradeço-lhe imenso, vamos partilhando nossos universos criativos e mantendo as rotinas artísticas ou não, fazem-nos bem.
      Agradeço por passar por aqui.
      Um abraço.

      1. Ui Ricardo! Muito muito bom! As suas músicas são qualquer coisa de extraordinário. Muito real, palpável, parece que nos faz entrar na melodia e letra. A forma como expõe os assuntos. Vou passar o dia a ouvi-lo provavelmente. Gostei muito mesmo.

      2. Obrigado, Irina. Estou muito feliz por saber que você gostou. Na internet, talvez por ser um espaço muito grande, acho difícil chegar até as pessoas… Que bom que cheguei até você. E se for de seu interesse, fique à vontade para compartilhar as músicas com as pessoas do seu círculo. Mais uma vez, muito obrigado. Meu blog é um espaço aberto para você.

  4. Aqui com a neve parece q começou o inverno. Rsrs Bem, apesar da neve, já vejo sinais da primavera.
    Hj o dia está branco e cinza. Bom resto de fim de semana, Irina ! Beijinhos

    1. Existe dois sentimentos quando vejo neve, se calhar até mais. Claro está, falo por mim no meu sentir. Gosto de neve, abre-me os olhos com alegria, proporciona-me um sentimento de paz, faz a minha criança interior se manifestar. O outro sentimento que tenho e penso é algo ligado a uma espécie de recolhimento, faz-me pensar, acolher, interiorizar.
      Gosto da neve mas não por muito tempo mesmo assim, prefiro neve a chuva. Aqui tem chovido todos os dias.
      Mas a chuva traz-nos um ciclo para a primavera florir.
      Um beijinho muito grande Silvana e uma boa semana.

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