Espaços

Há questões que para nós fazem sentido e, se calhar para outros não fazem assim tanto e desta forma surge a incerteza, será que estamos a ver as coisas mal? Fará sentido?

Por vezes, dou por mim a olhar para o espaço e enquanto alguém dá nomes às estrelas eu ligo-as e faço pequenos desenhos na minha mente, se me disserem o nome da estrela, amanhã esquecerei, mas se aplicar um desenho, tudo fará muito mais sentido.  

O mesmo acontece a olhar para as nuvens, algo que aprecio muito, tão depressa vejo uma formação que me lembra algo, como passado um tempo essa nuvem já sofreu transformação e já era uma outra coisa qualquer, lembrando-me outra situação. As nuvens são impermanentes, mas quando passam podemos ver muita coisa – várias histórias ou ciclos.

Antes de entrar, bato na porta, se não houver receção sigo o meu rumo e volto para trás, mas se atenderem e me deixarem entrar sigo e entro no espaço, a questão é que entro e vejo como se encontra a pessoa, assim como se a visse na rua seria exatamente a mesma coisa, ir a sua casa é mais complicado, sinto sempre que estou fazer invasão de privacidade. É o seu espaço aquele que respeito, ás vezes somos mal recebidos outras vezes bem, a incerteza surge sempre – muita coisa não sabemos para tal atitude (boa e má).  Talvez isso varie com os dias e nossas sensações se num dia o “Olá” parece mais amargo, (perceção nossa) talvez seja necessário não incomodar essa pessoa, esperemos que ela esteja num melhor dia e pensamos que esse “Olá” amargo foi referente aquele dia, mas se é constante, bem aí (no meu caso), deixo a pessoa em paz. Preocupação fica mas se a recção é sempre a mesma (não a que expectamos) não sabemos reagir de outra forma, e aos poucos afastamo-nos. Por vezes, temos que aceitar as coisas, já não somos bem vindos, e tudo bem. Respeito – espaços.

Por isso gosto mais de me encontrar pela rua, na natureza, a minha cabeça dispersa um pouco mais a observar as árvores, as flores, as folhas, os pássaros, as vivências do dia a dia das pessoas, cada uma tão característica e com suas rotinas e envolvimentos. Como diria alguém, vejo sempre algo mais, algo que ninguém tinha reparado. Não sei se é por meus estudos, se de minha personalidade ou natureza. Sempre o fui assim… mas sendo assim por vezes me surgem incertezas, se dentro da minha normalidade estou a comportar-me errado, surgem. Irão sempre surgir. 

Daí respeitar, espaços, locais, ambientes, mesmo não sabendo como me comportar. Porque o mesmo espaço pode ser visto como a rua ou uma invasão de privacidade – depende como o olhamos e como o vemos. Um pouco como nós, seres humanos.

Somos tão complexos, sendo assim, simplificamos.

Imagem Henry & Co. no Unsplash

13 thoughts on “Espaços

  1. Eu prefiro ver as pessoas na rua, até pra mim mesmo é mais confortável rsrs… mas quando se é bem vindo nada é tão aconchegante quanto.

  2. I feel sorry I don’t know your language. A shame so close, really. Anyway, I wanted to say I like the reflections you make. I relate to them.

    1. It’s ok, if you want you can speak spanish I understand. Yes, sometimes I write some feelings that people associate, it’s day by day fellings – doubts, hapiness, thoughts… I really apreciate you relate to them, I feel less lost.
      Thank you so much for your kind words, and feel free to speak in your language 😉
      Hugs.

  3. Eu creio que o “princípio da incerteza” nos acompanha sempre pela vida fora. Porque em jogo estão sempre inúmeras premissas, sejam nossas ou dos outros. Na verdade os outros têm dias difíceis como nós, inseguranças como nós, desconfianças como nós, verdades como nós, sonhos como nós, etc, etc, etc.
    Portanto o melhor é sermos um tanto flexíveis no entendimento. E no comportamento também, tendo sempre por base o bom senso e os princípios que nos constroem. Ou seja, mantendo a nossa consciência em equilíbrio.
    Quando resulta, ótimo. Se não resultar…se calhar a pessoa, situação, circunstância, etc, etc, não era realmente importante.
    Viver não é fácil. Mas nós complicamos muito, diria mesmo demasiado.
    Bj

    1. A incerteza, diria que é um obstáculo e uma saída, a meu ver. Obstáculo esse que não sabendo ou conhecendo, por vezes faz-nos ficar na zona de conforto, onde podemos estar acostumados e/ou o medo poderá tomar posse de nós. Uma saída, porque sem ela, não nos aventuravamos para seguir em frente e tentar. Tento a ver como um questionamento que fazemos.
      Sem dúvida que todos temos os nossos dias, refletem-se um pouco nas atitudes, nada que uma comunicação cuidada e entendimento parte a parte muitas vezes não os possa resolver. Se em tempos fui mais impulsiva em certas questões, hoje em dia, aprendendo com meus registos de vida tenho tentado ser mais paciente. Algo que devo muito a ter a percepção do que me fazia ter os impulsos. Ora bem, não foi fácil, nunca é fácil compreender nós e os outros. Se para chegarmos a nós é preciso mergulhar profundamente, entender a outra parte, corresponde a dois mergulhos diversos e diferentes.
      E é mesmo isso Dulce, a vida não é fácil para ninguém, e nós sendo tão complexos deveríamos tentar simplificar. Mas simplificar é algo que vai sendo adquirindo pouco a pouco, quando aceitarmos cada vez mais como somos e não nos penalizarmos por isso. E tendo consciência que os outros também são diferentes e têm seus trilhos.
      Tento ver as coisas assim, tenho vindo sempre a aprender.
      Beijinho.

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